Quem disse que o camisa 9 está em extinção no futebol?
Quem diz que a função de centroavante está em extinção no futebol moderno precisa rever urgentemente seus conceitos. Ainda há espaço para eles, mas só para os que são realmente bons. E o que temos visto na Rússia comprova: a Copa do Mundo é dos camisas 9.
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Qual posição chamou mais a atenção do que esta? Foram 85 gols marcados no Mundial até o momento. Destes, 27 foram de centroavantes. Natural, não é? Afinal, eles estão em campo para isso. Mas, quando se fala por aí de crise na função, este dado não pode ser ignorado.
Acontece que, nesta Copa, cinco jogadores têm mais gols do que partidas. Destes, quatro são centroavantes. Um deles, por sinal, tem mais do que dois gols por jogo. É Harry Kane, camisa 9 da Inglaterra, que no domingo (24) marcou três vezes na goleada por 6×1 sobre o Panamá.
Com os dois gols na vitória por 2×1 sobre a Tunísia, na estreia inglesa, Kane chegou a incríveis cinco gols na Copa. É igual à artilharia de duas edições recentes do Mundial.
A Copa do Mundo adotou o atual formato, de 32 equipes e 64 jogos, em 1998. De lá para cá, o artilheiro do Mundial teve cinco gols tanto em 2006 (o alemão Miroslav Klose) como em 2010 (dividida entre Müller, Villa, Sneijder e Forlán).
Kane também bateu um recorde. Desde 1998, nunca um jogador havia terminado a segunda rodada da Copa com cinco gols marcados. A maior marca havia sido de quatro tentos, com o argentino Batistuta em 1998 e Klose em 2002.
“Obviamente está indo tudo bem, mas ainda temos um caminho longo pela frente. O mais importante é ganhar jogos, meu objetivo é ajudar o time a ganhar, mas a artilharia seria a situação perfeita. Tem muitos bons jogadores, espero que eu possa continuar assim”, disse Kane em entrevista.
O centroavante inglês joga no Tottenham, do seu país, e tem só 24 anos. Em sua primeira Copa, tornou-se o capitão mais jovem da Inglaterra.
O peso de CR7
Apesar do número de gols de Kane, o protagonismo da camisa 9 nesta Copa da Rússia não se resume a ele. Muito pelo contrário, aliás. Os mais românticos podem até alegar que o inglês tem enfrentado seleções pequenas, como Panamá e Tunísia, e por isso tem ido bem.
Mas o que dizer de Cristiano Ronaldo? O melhor do mundo, aliás, não usa a camisa 9, e sim a  7, e no Real Madrid, seu clube, não chega a ser um centroavante. Mas quando veste a camisa da seleção portuguesa, a responsabilidade de comandar o ataque é toda dele.
Nesta Copa do Mundo, CR7 tem sustentado bem este peso. Portugal está invicto, com quatro pontos ganhos e quatro gols marcados. Todos foram de autoria do camisa 7. Três deles diante da Espanha, uma das favoritas ao título na Rússia, e o outro sobre o Marrocos.
Cristiano passou, em apenas dois jogos, o número total que havia marcado nas três edições anteriores que disputou. Desde 2006 indo a todos os Mundiais, o português havia feito um gol em cada Copa.
O destaque de CR7 é tamanho que ele é disputado entre dois treinadores. No duelo desta segunda-feira (25), quando enfrentará o Irã, o atacante reencontrará Carlos Queiroz, seu técnico na seleção entre 2008 e 2010 e que hoje trabalha na equipe persa.
O atual treinador de Portugal, Fernando Santos, no cargo desde 2014, rebate: “Eu o conheço há mais tempo do que o meu colega. Eu o treinei quando tinha 18 anos. Conheço a imprevisibilidade de Cristiano”, disse. O jogo começa às 15h e vale vaga nas oitavas de final.
Belga bem brasileiro
Lukaku é mais regular que os seus concorrentes pelo posto de artilheiro da Copa. O belga marcou dois gols em cada partida do Mundial até aqui. Primeiro no Panamá (3×0), depois diante da Tunísia (5×2).
Quase tão novo quanto Kane – tem 25 anos –, Lukaku era um menino quando a seleção brasileira de 2006 esteve em campo na Copa do Mundo. Por isso, tem um centroavante brasileiro como inspiração: Adriano.
Também, pudera: com o porte de 1,91 metro de altura e 94 quilos, seu estilo se assemelha muito com o futebol físico do Imperador. Acontece que, na estreia do Mundial da Rússia, o aprendiz já superou o ídolo.
Com o gol marcado sobre os EUA em 2014 e os dois da estreia em 2018, Lukaku chegou a três gols em Mundiais, mais do que Adriano, que fez dois na sua única Copa, a de 2006. O belga, porém, é humilde: “Adriano tem uma carreira melhor do que a minha”, disse sobre o caso.
Na lista de atletas com mais gols do que partidas, há ainda espaço para Diego Costa. Se dizem que hoje no Brasil há uma escassez de centroavantes, muito é porque o sergipano de 29 anos fez carreira na Espanha e decidiu defender aquela seleção. Contra Portugal foram dois gols, e contra o Irã, um. Nesta segunda-feira, ele enfrenta o Marrocos, às 15h.
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