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Mitos e tabus sobre o suicídio é preciso conversar sobre o assunto!
É frescura, é falta de Deus, é fraqueza, é para chamar a atenção, quem quer se matar não avisa, são alguns dos mitos e tabus em torno desse grave problema de saúde pública, que é o suicídio.
Os mitos em torno dessa temática ainda são grandes infelizmente, fazendo com que haja um aumento crescente da estimativa de seres humanos invisíveis na sua dor que tentaram e conseguiram concretizar o ato suicida ou que continuam tentando, porque “dor da alma” dor existencial é algo que não é palpável, mas dói de forma dilacerante, semelhante a uma dor precordial.
2O suicídio ocupa no Brasil o 8º lugar no ranking mundial com taxas crescentes, sendo a terceira maior causa de morte entre a faixa etária dos 15 aos 22 anos, apesar da subnotificação existente e a ausência de uma política nacional para a prevenção do suicídio pelo Ministério da Saúde, apenas diretrizes e estratégias de prevenção que foram construídas a partir do ano de 2016, com a ajuda da ABEPS – Associação Brasileira de estudos e Prevenção de suicídio e do CVV- Centro de Valorização da Vida.
Estudos apontam como um dos fatores predisponentes, mas não o único, a demanda de sucesso imposta pela sociedade capitalista e que acaba sendo incorporado pelas famílias, impondo principalmente aos adolescentes uma responsabilidade de não erro e de vitória em todas as ações de sua vida. O jovem da sociedade do século XXI vive envolto num turbilhão de informações e atrativos que somados a fase normal do adolescer, com hormônios em ebulição que transformam o corpo e afetam emocionalmente sua autoimagem e autoafirmação neste mundo, o torna mais suscetível e vulnerável ao sofrimento psíquico e comportamentos autodestrutivos como a automutilação, e a tentativa de suicídio. Frases como: “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer” são sinais de alerta, além de:
  • Perda do interesse em atividades que gostava de fazer;
  • Comentários e atitudes autodepreciativas persistentes;
  • Mudança no sono (dormir pouco ou muito, ou sono entrecortado);
  • Sentimento de desesperança e de cansaço;
  • Diminuição das atividades sociais ao total isolamento social;
  • Mudança na alimentação (comer pouco ou muito);
  • Descuido com a aparência;
  • Comportamento ansioso, agitado ou deprimido;
  • Afastamento da família e dos amigos;
  • Piora no desempenho na escola e ou trabalho;
  • Diminuição da demonstração de afeto e do contato visual direto com o outro, dentre outros sinais;
São sinais que podem indicar que uma pessoa (adulto, adolescente ou idoso) pode estar vivenciando uma situação de sofrimento intenso, uma tristeza além do normal. Estar atento (a) a estes sinais pode fazer a diferença na vida de uma pessoa! Você pode salvar uma vida, mas como?
Oferecendo apoio sem julgamentos, sem fazer comparações, apenas se disponibilizando a escutar, frases que podem ajudar: eu estou aqui! Pode contar comigo! Indicar ajudar profissional sem forçar a barra!  E falar para ela ou ele sobre o CVV – Centro de Valorização da Vida.  O CVV é uma Organização Não governamental que vem levantando a bandeira da prevenção do suicídio, desde a década de 60, formada por voluntários que abraçaram a causa. Atualmente o CVV está presente na maioria dos estados brasileiros. Em 2018, através de uma cooperação técnica com o Ministério da Saúde, e com a ajuda da Anatel, foi implantado o nº 188, para todo o país, sendo a ligação totalmente gratuita, podendo ser realizada de telefone fixo ou celular. Além do telefone, o CVV oferece apoio via chat e e-mail, através do site: www.cvv.org.br.
3Em 2015, o CVV- Centro de Valorização da Vida, juntamente com a ABEPS – Associação Brasileira de estudos e prevenção do suicídio, a ABP – Associação Brasileira de psiquiatria, dentre outros, levantaram a Campanha do Setembro amarelo, sendo destacado o dia 10 como marco para as ações, onde alguns monumentos históricos são sinalizados de amarelo como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, Palácio do Planalto em Brasília, entre outros, como forma de chamar a atenção para a prevenção de novos casos sendo lembrada mundialmente.
Assim, Que prestemos mais atenção às pessoas que nos circundam, aos familiares, amigos que estão do nosso lado, os nossos jovens, oferecendo cuidado, esperança e espaço de diálogo, fazendo uso das palavras da Dra Karina, “Que possamos agir mais e falar menos neste mês de setembro amarelo que se inicia. Que nos ocupemos em ofertar espaços de hospitalidade para que possamos construir uma morada existencial “… (fala da Dra. Karina Okajima Fukumitsu, terapeuta e pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da USP)
Referência Bibliográfica:
Mayta Carvalho Trajano Leite, Graduada em Terapia Ocupacional pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, registro Crefito nº 5873 TO, é especialista em Saúde mental pela UFBA e formação em Terapia Comunitária Sistêmica Integrativa.
Link do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/6163859122668137