A cooperativa fiscalizada tem contratos com mais de 30 cidades
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A operação Pityocampa, realizada nesta terça-feira (18) contra a Coofsaúde, cooperativa de Feira de Santana que fornecia mão de obra na área da saúde em cidades baianas e é suspeita de causar prejuízos de R$ 24 milhões aos cofres públicos somente de Feira apreendeu dezenas de carros, armas, dinheiro, aviões e embarcações.
A informação é a promotora pública Ana Emanuela Meira, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco), segundo a qual foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão temporária. O nome dos presos não foram divulgados.
A Coofsaúde, na Receita Federal, tem como presidente Fairuzzi Abud do Valle e diretores Anely Maria Araújo Ribeiro e Marcos Moreira de Souza. “Obtivemos diversas provas das fraudes e da lavagem de dinheiro”, disse a promotora.
O CORREIO não conseguiu contato com a cooperativa para comentar a operação, que contou também com a Controladoria-Geral da União (CGU), Receita Federal do Brasil (RFB) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).
As irregularidades analisadas nessa operação envolvem somente o município de Feira de Santana. No entanto, há suspeitas de desvios em vários municípios. A cooperativa fiscalizada tem contratos com mais de 30 cidades.
Estima-se que o total de recursos desviados no esquema supere o montante de R$ 100 milhões, nos últimos três anos, em cidades baianas onde as empresas envolvidas prestam serviço.
De acordo com os promotores de Justiça responsáveis pela investigação, foi constatado que a Coofsaúde recebeu, entre 2007 e 2018, quase um R$ 1 bilhão proveniente de contratos celebrados com diversos municípios baianos e com o Governo do Estado.
Durante a fiscalização realizada pela CGU em Feira, foram identificadas diversas irregularidades nos processos de contratação da Coofsaúde.
Dentre elas, a ausência de projeto básico ou termo de referência, vícios nas cotações de preços para definição do orçamento de referência, cláusulas restritivas no edital e irregularidades na própria condução dos certames, com favorecimento para a cooperativa investigada.
Além disso, foi constatada a falta de controle sobre os pagamentos realizados, o que permitiu a ocorrência de superfaturamento.
“Nas investigações do Gaeco da Bahia, verificou-se também fraude nas escalas de plantão de profissionais como médicos, odontólogos e enfermeiros, gerando excedentes financeiros que eram repassados aos integrantes da organização criminosa depois de passar por mecanismo de lavagem de dinheiro, envolvendo transações para ‘laranjas’ e empresas de fechada”, afirmou a Receita Federal, em nota.
Também foram cumpridos mandados em Aracaju, São Paulo e Fortaleza, estes com apoio dos Gaecos de Sergipe, São Paulo e Ceará.

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