Filipe Ferreira, homem negro que viralizou nas redes sociais depois de filmar uma abordagem agressiva da Polícia Militar de Goiás enquanto fazia manobras com a bicicleta, decidiu mudar de cidade. Ele afirma que está sendo perseguido por policiais da PM goiana depois da denúncia do abuso, ainda no mês de maio.


© Reprodução/Instagram Filipe ferreira

No dia 27 de junho, Filipe gravou e postou nas redes sociais o momento em que uma viatura passa na frente da casa dele e aciona a sirene. O jovem afirmou que, anteriormente, os agentes já haviam passado no local e acenado para ele. Em um outro momento, novamente, Filipe se depara com os policiais, que o abordam.

Na filmagem, o policial confessa que acenou para o rapaz, mas nega que tenha sido uma espécie de ameaça. Em um vídeo postado no Youtube, Filipe diz que não foi a primeira vez que a situação aconteceu. Além de mudar de cidade o rapaz, que grava vídeos de manobras radicais com a bicicleta, também teve que deixar o emprego. Ele encaminhou as filmagens para os advogados.

Confira o vídeo:

A primeira abordagem

O primeiro vídeo, que teve grande repercussão nas redes sociais, mostra Filipe fazendo manobras com a bicicleta em um parque da cidade de Ocidental (GO) quando uma viatura da Polícia Militar aparece. Devido a gravação das manobras, toda a chegada dos policiais é registrada.

Os dois policiais descem da viatura e mandam Filipe colocar a mão na cabeça. O rapaz pergunta o porquê da ação e o policial responde “porque eu estou mandando”. Filipe questiona mais uma vez a ordem dos agentes, que apontam armas para o rapaz e o algemam. No vídeo, em nenhum momento, o jovem abordado resiste à abordagem ou lhe é explicado o motivo da ação.


Em nota, o Ministério Público de Goiás informou que afastou o cabo PM Gustavo Brandão da Silva, que participou da abordagem, de suas funções e recolheu sua arma de fogo funcional. Os policiais afirmaram que seguiram os procedimentos padrões preconizados pela Polícia Militar e que apontaram a arma para o ciclista por entenderem que Filipe oferecia risco à integridade física dos dois, pois estava gesticulando muito com as mãos.

Também de acordo com o MP, as investigações do caso mostram que os agentes contrariaram o Procedimento Operacional Padrão (POP) da PM-GO, ao apontarem a arma para a vítima quando ela questionou a razão da abordagem.

Dentre uma série de infrações, o MP classificou a abordagem em questão como um “nítido constrangimento ilegal com emprego de arma” contra Filipe.

 

Fonte: MSN